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Ricardo Cardoso, vice-presidente da Câmara de Odemira: “Temos mais de 80 empreendimentos turísticos, mais de 800 alojamentos locais, mais de 60 empresas de animação turística e operadores marítimo-turísticos e mais de 200 restaurantes no território”

Publicado em: 17/07/2026 21:53

O Alentejo Litoral tornou-se o destino nacional preferido dos portugueses para as férias de verão, ultrapassando o Algarve, segundo o estudo “Férias dos Portugueses 2019-2026”, do IPAM (Instituto Português de Administração e Marketing). A maioria das pessoas recorre ao subsídio de férias para financiar a viagem e um em cada cinco portugueses já utiliza Inteligência Artificial para planear as férias. Para Ricardo Cardoso, vice-presidente do município de Odemira, o resultado do estudo tem “um significado de maior responsabilidade”, sublinhando o exponencial do turismo no concelho. Neste momento, temos mais de 80 empreendimentos turísticos, mais de 800 alojamentos locais, mais de 60 empresas de animação turística e operadores marítimo-turísticos e mais de 200 restaurantes no território, demonstrando que há uma oferta consistente em termos qualitativos, mais preparada e qualificada.

Florindo Cardoso

O estudo do IPAM coloca o Alentejo Litoral como destino preferido de férias dos portugueses. Se significado tem este resultado deste estudo para o concelho de Odemira?

Ricardo Cardoso – Tem um significado de maior responsabilidade. Há muitos anos que começamos este processo de infraestruturação e qualificação do território, trabalhar em rede com os nossos empresários e realmente, fomos um pouco surpreendidos, com este resultado, não porque não reconhecemos a grande valia e qualidade do nosso produto, mas porque o Algarve liderava este ranking há muitos anos. Acima de tudo, considero que é fruto da responsabilidade e trabalho de envolvimento das entidades públicas, mas muito em particular dos nossos empresários. Se voltarmos há doze anos atrás, falando em particular do concelho de Odemira, tínhamos seis águas balneares e quatro bandeiras azuis. Passados estes anos, temos doze águas balneares, onze bandeiras azuis, quatro bandeiras acessíveis, somos reconhecidos pela qualidade das nossas praias, tanto pela Quercus como a Zero, e isso dá-nos responsabilidade, mas assumimos isso desde o início, quando começámos a afirmar que tínhamos as melhores praias de Portugal.

Até que ponto o município está preparado para receber um eventual aumento do número de visitantes neste verão, sobretudo nas praias do concelho?

Ricardo Cardoso – Estamos preparados para isso. As praias têm a sua lotação. Obviamente que a oferta turística é limitada, no sentido de que há um número limitado de camas turísticas disponíveis, mas isso tem vindo a aumentar nos últimos anos. Neste momento, temos mais de 80 empreendimentos turísticos, mais de 800 alojamentos locais, mais de 60 empresas de animação turística e operadores marítimo-turísticos e mais de 200 restaurantes no território, demonstrando que há uma oferta consistente em termos qualitativos, mais preparada e qualificada, porque a qualidade daquilo que se faz por aqui, tem aumentado e é cada vez mais reconhecido localmente por quem nos visita, mas também muitos guias do setor.

Este estudo vem, de alguma forma, também aumentar a responsabilidade do município. Que medidas podem ser implementadas para garantir que este aumento do turismo não comprometa a qualidade de vida dos residentes?

Ricardo Cardoso – Sim, com certeza. É evidente que isso é uma discussão cada vez maior em muitos dos destinos. Eu acho que maioritariamente em destinos, em grandes metrópoles, digamos assim como é conhecido no mundo inteiro o caso, por exemplo, de Barcelona. Em Lisboa também se já se discute isso. Eu acho que nós aqui estamos bem longe desse panorama, mas obviamente que isso também nos preocupa, que a vinda de pessoas para o território não tire qualidade daquelas que cá vivem. E é por isso que nós queremos cada vez mais ter uma oferta diferenciada em termos também de produtos. Historicamente nós sempre nos suportámos mais no sol e mar, digamos que uma atração muito concentrada, mas fomos à procura de produtos diferenciados e fizemos isso muito bem em parceria no turismo natureza, com a Rota Vicentina, com os caminhos pedestres e os caminhos recicláveis. Queremos fazer isso agora com a observação de aves e, portanto, essa diferenciação foi muito importante. Para além disso também temos a questão do turismo náutico. O turismo náutico também melhorou bastante e estamos a investir também nesse setor, não só em termos de infraestruturação, mas também em termos de criar e qualificar os nossos operadores. Exemplo disso é realmente a criação da Estação Náutica, que tem sido uma rede muito dinâmica e capaz de responsabilizar também, corresponsabilizar obviamente todos os atores.

A segurança e o socorro nas praias estão de alguma forma reforçados ou estão à altura para responder a este esperado aumento de turistas?

Ricardo Cardoso – Sim, obviamente temos isso preparado, coordenado com todas as entidades. Aliás nós temos muito em particular na preparação da época balnear no antes e o após sempre reuniões, portanto uma reunião de preparação e depois uma reunião de balanço com todas as entidades, com a ICNF (Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas), com a APA (Agência Portuguesa do Ambiente), com a Capitania do Porto de Sines, com todos aqueles, com os nadadores salvadores, com os bombeiros voluntários, as juntas de freguesia, os operadores de praia e fazemos isso há longos anos e é essa evolução que permite também abordar esta época com clara responsabilidade, mas também com tranquilidade inerente porque fazemos o trabalho de casa. Essa responsabilidade é do município de Odemira, mas é também dos restantes municípios da Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral (CIMAL), portanto o Alentejo Litoral são cinco municípios. Estamos vindo a falar com a comunidade intermunicipal no sentido de esta também concretizar o quadro de transferência de competências que veio da Lei 50, designadamente o Decreto-Lei 99 de 2018 e sentimos que isto também responsabiliza todos. Até agora a comunidade não teve, digamos, a vontade de aceitar estas competências, mas acho que agora faz todo o sentido que isso aconteça. Nós iremos obviamente fazer com que isso possa vir a acontecer porque isto nos responsabiliza de facto a todos.

Que mensagem é que gostaria de deixar aos portugueses que estão a pensar a escolher Odemira, as praias, a costa de Odemira, o concelho de Odemira como destino de férias neste verão?

Ricardo Cardoso – Olhe, o que costumo dizer sempre é que quem conhece, já não preciso fazer apelo nenhum, porque obviamente testemunha aquilo que é a qualidade do nosso território, quem não conhece, quero que possa vir a conhecer porque realmente este é um território fantástico, muito grande, marcado por grandes planos de água, não só a costa, os tais 55 km de costa, mas também o rio navegável em 30 km, o maior plano de água antes do Alqueva, que é a Albufeira de Santa Clara, quase 50% do território preservado, seja por Parque Natural do Sudeste, Alentejo e Costa Vicentina, seja pela Rede Natura, e portanto obviamente que quem vier, virá a encontrar uma oferta fantástica, também complementada obviamente por a qualidade dos nossos produtos, etc. Mas acima de tudo, quero agradecer aos nossos empresários, aqueles que todos os dias fazem com que este destino seja de facto um destino distintivo e cada vez mais qualificado e cada vez mais capaz de poder atrair gente para o território.

Destino de férias dos portugueses

Alentejo Litoral ultrapassa Algarve

O Alentejo Litoral é agora o destino nacional mais procurado pelos portugueses para as férias de verão, segundo o estudo “Férias dos Portugueses 2019-2026”, desenvolvido pelo IPAM. A investigação, que compara os hábitos de férias ao longo dos últimos sete anos, mostra alterações nas preferências dos viajantes, nos orçamentos disponíveis e nas formas de planear as viagens.

Segundo os dados, 79% dos portugueses tencionam gozar férias este verão, abaixo dos 85% registados em 2019. No entanto, entre os que fazem férias, mantém-se nos 73% a proporção dos que saem da residência habitual, exatamente o mesmo valor de há sete anos.

Entre os destinos nacionais, o Alentejo Litoral surge na liderança, sendo escolhido por 60% dos inquiridos que passam férias em Portugal. O Algarve, que ocupava o primeiro lugar em 2019, desce de 48% para 30%, enquanto o Norte Litoral regista um crescimento, passando de 13% para 38%.

Portugal continua a ser o destino mais escolhido para as férias, embora a sua preferência tenha diminuído de 61% para 50% desde 2019. Em sentido contrário, a Europa reforça a sua atratividade, aumentando de 34% para 40%.

A praia continua a ser o principal critério na escolha do destino de férias, mas perdeu relevância, passando de 59% para 47% nos últimos sete anos. Em simultâneo, fatores como o preço e a oferta cultural ganharam maior importância entre os portugueses. Já a duração das férias permanece praticamente inalterada, com 57% dos inquiridos a optarem por duas semanas, face aos 58% registados em 2019.

O estudo indica ainda que o orçamento médio previsto para as férias de verão é de 750 euros por pessoa, cerca de 5% acima dos 712 euros registados em 2019. Apesar desse aumento, os dados apontam para uma maior contenção financeira: 43% dos inquiridos afirmam que irão gastar menos do que em 2025, outros 43% preveem manter o mesmo nível de despesa e apenas 14% admitem gastar mais.

O subsídio de férias continua a desempenhar um papel importante no financiamento deste período. Em 2026, 77% dos portugueses afirmam recorrer a este rendimento para suportar, total ou parcialmente, as despesas das férias. Entre estes, 47% utilizam apenas parte do subsídio, enquanto 30% dependem totalmente desse valor para pagar a viagem.

A digitalização do planeamento das férias também se destaca entre as principais mudanças identificadas pelo estudo. Atualmente, 86% dos portugueses pesquisam informação sobre férias na internet, quando em 2019 essa percentagem era de 67%. Pela primeira vez, a Inteligência Artificial surge como ferramenta de apoio ao planeamento das viagens, sendo utilizada por 21% dos inquiridos para procurar destinos, alojamento ou atividades.

As plataformas online consolidaram-se igualmente como o principal canal para efetuar reservas, sendo utilizadas por 64% dos participantes. No alojamento, o Alojamento Local e o Airbnb representam, em conjunto, metade das escolhas, enquanto os hotéis mantêm uma preferência semelhante à registada em 2019, com 29%.

Citada no estudo, Mafalda Ferreira, professora do IPAM e coordenadora da investigação, afirma que os resultados demonstram que “as férias continuam a ser encaradas pelos portugueses como um momento essencial de descanso e bem-estar”. A responsável acrescenta que, apesar da maior contenção orçamental, verifica-se “uma adaptação dos comportamentos, com maior planeamento, maior recurso às ferramentas digitais e novas preferências ao nível dos destinos, tanto em Portugal como no estrangeiro”.

O estudo “Férias dos Portugueses 2019-2026” foi realizado pelo IPAM-Porto entre 15 e 26 de junho de 2026, através de questionários online e presenciais aplicados a uma amostra de 450 pessoas com mais de 18 anos, permitindo comparar a evolução dos hábitos, dos orçamentos e das escolhas de férias dos portugueses desde 2019.

Fonte: Website oficial do Município de Setúbal

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